Animais de estimação: conheça os riscos de cruzar raças pequenas

Animais de estimação: conheça os riscos de cruzar raças pequenas
Reprodução de raças pequenas afeta a saúde dos pets (Imagem: Shutterstock)

Basta uma pesquisa rápida por “animais miniaturas” nas ferramentas de busca pela internet para aparecer opções de cores, raças e tamanhos, como uma vitrine de produtos. No entanto, o crescimento da procura por esses animais estimula a reprodução ilegal. Com isso, eles têm grande tendência de nascerem ou desenvolverem diversas doenças decorrentes do peso e tamanho. 

Além dos problemas genéticos, todas as raças podem sofrer com maus-tratos e abandono. Quem opta por comprar um bichinho de estimação está deixando de adotar animais que precisam de um tutor e estimulando o comércio indiscriminado.

Animais com a saúde debilitada 

Os animais denominados miniaturas costumam ser os mais cobiçados pelos tutores, por serem considerados mais fofos e ocuparem menos espaço. Porém, essa fofura tem um valor muito alto para esses cães, pois podem nascer com inúmeros problemas. 

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“Frequentemente apresentam epilepsia, bronquite, graves doenças oculares, hipotireoidismo, hidrocefalia, dentes fracos, moleira aberta e características de nanismo. De modo geral, possuem a saúde frágil, pois são pequenos e, muitas vezes, atividades simples como subir em um sofá ou cama, podem ser extremamente perigosas e resultar em fraturas”, explica a veterinária Joyce Magalhães.

Estimula a redução exagerada de tamanho 

A maior parte dos problemas de saúde dos animais miniaturas é devido à redução exagerada do tamanho, em função da manipulação do cruzamento de raças pequenas. Por isso, não é recomendado o cruzamento para gerar cães menores que o padrão da raça.

“Pois pode acarretar o desenvolvimento de doenças, sendo muito comum que essas fêmeas menores não suportem a gestação e, em alguns casos, pode resultar no óbito do animal”, analisa a veterinária. Segundo ela, algumas associações não aceitam cães fora do padrão da raça para pedigree, o que seria uma forma de penalizar quem faz esse procedimento.

Cachorro sentado na grama
Cachorros muito pequenos costumam ter a saúde mais frágil (Imagem: Shutterstock)

Contribui para criação de raças menores e frágeis 

De acordo com a veterinária, quem procura por cães extremamente pequenos é tão responsável pela situação quanto quem o produz. “Acho que o mais importante é a saúde e bem-estar desses pequenos. Afinal, ninguém quer adquirir um cão que vá viver em sofrimento, além de desumano, é extremamente oneroso para o tutor. Sendo assim, não há justificativa para estimular essa comercialização”, pontua a médica veterinária.

Até mesmo em uma criação planejada dentro dos padrões, pode nascer um filhote menor, que deverá ser castrado e afastado da reprodução. “Essas classificações “miniatura”, “zero”, “anão”, não são reconhecidas pela Confederação Brasileira de Cinofilia, geralmente está associada às raças pinscher, poodle, pug, maltês, shih tzu, spitz, yorkshire e chihuahua. São reconhecidos apenas o poodle micro toy e o spitz alemão anão”, explica Joyce Magalhães.

O tamanho e o peso variam de acordo com a raça, em alguns casos podem ter 15 cm e menos de 1,5 kg. “ Porém, é preciso entender que alguns cães são naturalmente pequenos. O grande perigo está em estimular uma nova geração de animais frágeis e com problemas de saúde”, ressalta a veterinária.

Não incentive a reprodução ilegal

Existem diversos canis clandestinos em que não existe o menor controle na reprodução, onde as fêmeas são exploradas ao limite. Geralmente são obrigadas a cruzar em todos os cios, além de permanecerem em confinamento, assim como os machos reprodutores. 

Em muitos, as condições de higiene e saúde são degradantes. Os cães ficam no meio das próprias fezes. Também não existe controle no padrão de raças, o que pode gerar cães com problemas físicos e comportamentais. Os filhotes são separados das mães muito cedo e ficam confinados em espaços minúsculos. Por isso, a melhor opção é adotar ou comprar o seu pet em lugares que você sabe que eles têm todos os direitos respeitados. 

Matilde Freitas

Jornalista, geminiana e vegetariana. Possui mais de 8 anos de experiência no mercado editorial. Além de produzir diversos conteúdos para EdiCase Publicações e Portal EdiCase, escreve para revistas e sites ligados ao veganismo e ao empoderamento feminino.

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