Dia Mundial Sem Tabaco: conheça 10 problemas na pele causados pelo cigarro

Dia Mundial Sem Tabaco: conheça 10 problemas na pele causados pelo cigarro
Os efeitos do cigarro na saúde da pele (Imagem; Shutterstock)

Envelhecimento precoce, doenças nas unhas e cabelos estão entre os problemas comuns que podem afetar os fumantes

Por Guilherme Zanette 

O Dia Mundial Sem Tabaco é celebrado anualmente em 31 de maio. Para conscientizar sobre os riscos do cigarro para a saúde, a data foi instituída pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1987. Existem condições dermatológicas, por exemplo, causadas, associadas ou agravadas pelo tabagismo.

“No contexto da saúde da pele, parar de fumar é fundamental para desacelerar o envelhecimento, minimizar complicações cirúrgicas e dermatológicas relacionadas ao tabagismo e melhorar as condições de saúde como um tudo, o que impacta diretamente no tecido cutâneo”, explica a dermatologista Dra. Paola Pomerantezeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. 

A seguir, a médica destaca as 10 principais manifestações cutâneas causadas pela utilização do cigarro. Confira!

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1. Dificuldade na cicatrização de feridas 

O tabagismo demonstrou repetidamente ter efeitos deletérios na cicatrização de feridas cutâneas. “O cigarro tem sido associado a inúmeras complicações pós-operatórias, incluindo infecções de feridas. Quando são usados retalhos ou enxertos, os fumantes têm maior risco de necrose. Isso ocorre basicamente por três motivos: vasoconstrição, efeito pró-trombóticos e inflamação”, explica a médica. 

No caso da vasoconstrição, o fluxo sanguíneo periférico diminui entre 30 e 40% em poucos minutos após a inalação da fumaça, comprometendo a oxigenação dos tecidos e a cicatrização de feridas. “A nicotina aumenta a adesividade das plaquetas ao inibir a prostaciclina, levando a obstrução microvascular e a diminuição do tecido. O tabaco também inibe a função das células endoteliais e dos fibroblastos [manutenção do tecido], a atividade do óxido nítrico, a produção do fator de crescimento endotelial vascular e a síntese de colágeno, tudo isso com impacto direto na cicatrização”, destaca.

2. Aparecimento de rugas e aceleração do envelhecimento da pele

A associação entre tabagismo e rugas foi estabelecida há muito tempo. “As características clínicas de um ‘rosto de fumante’ foram descritas em estudos e incluem: rugas faciais proeminentes, proeminência dos contornos ósseos subjacentes, pele seca e vermelha. As mulheres, segundo estudos, parecem ser mais suscetíveis aos efeitos de enrugamento causado pelo fumo do que os homens. O tabagismo é um fator de risco independente para as rugas, entretanto, a exposição ao sol tem um efeito que potencializa o envelhecimento da pele”, explica a Dra. Paola. 

A médica ainda explica que “os mecanismos de influência do cigarro nas rugas incluem a degradação da elastina da pele (mesmo quando não exposta ao sol), o aumento de espécies reativas de oxigênio, que estão implicadas no envelhecimento acelerado da pele, e também de metaloproteinases da matriz, que são enzimas que levam à degradação do colágeno, fibras elásticas e proteoglicanos.”

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3. Distúrbios orais e mucocutâneos

O tabaco tem se mostrado um fator de risco independente para o carcinoma epidermóide oral, o câncer que se desenvolve na boca. Fumar está associado à melanose do fumante, hiperpigmentação gengival devido ao aumento da melanina na camada basal da epiderme, além de gengivite, periodontite e erosões palatinas dolorosas. “O hábito de fumar também contribui para as rugas labiais, na medida em que ajuda a quebrar a fibra de sustentação e o colágeno da pele, ocasionando o aparecimento do código de barras.”

4. Doenças de unhas e cabelos

Fumar tem sido associado a vários distúrbios do cabelo e das unhas, como alopecia androgenética, cabelo grisalho prematuro, unhas de fumante e pelos faciais descoloridos. “O cigarro basicamente prejudica a circulação sanguínea e, consequentemente, a oxigenação e aporte de nutrientes de tecidos periféricos, incluindo a pele, unhas e cabelo. As substâncias tóxicas do cigarro também levam a um quadro altamente inflamatório, sensibilizando a região que pode sofrer com irritação, dermatite seborreica, afinamento, quebra dos fios e queda capilar”, explica.

5. Hidradenite supurativa

Conhecida como acne inversa, essa condição de pele ocorre com mais frequência em fumantes. “Geralmente confundida com furúnculos ou espinhas grandes, a hidradenite supurativa é uma inflamação crônica da pele que se caracteriza pelo surgimento de inchaços e cistos profundos em regiões como axilas, mamas, virilha, genitais e glúteos, que liberam secreção purulenta e causam desconforto e dor”, explica a Dra. Paola Pomerantzeff. 

A médica completa afirmando que “o mecanismo dessa associação ainda não está claro, mas foi sugerido que a nicotina altera a função das células imunológicas e hiperplasia epidérmica, levando à obstrução e ruptura dos folículos pilosos”, explica.

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Dia mundial sem tabaco
Fumantes tem maior tendência a desenvolver psoríase (Imagem: Shutterstock)

6. Psoríase

Os fumantes apresentam risco aumentado de desenvolver psoríase e apresentam taxas mais baixas de melhora clínica com o tratamento. “Nessa doença autoimune comum, o corpo reconhece uma proteína normal da pele como anormal e tenta se livrar dela fazendo a pele descamar. Isso resulta em placas grandes, espessas e escamosas que racham e sangram, e podem ser dolorosas e apresentar coceira”, diz a dermatologista. 

As áreas de impacto podem variar, mas algumas das mais sensíveis são o couro cabeludo, rosto, genitais e unhas. “Pacientes que fumam têm maior probabilidade de apresentar maior gravidade da doença. A pustulose palmoplantar, uma variante da psoríase, demonstrou ter uma associação mais forte com o tabagismo”, explica.

7. Lúpus

O desenvolvimento de lúpus eritematoso sistêmico, bem como o aumento da gravidade da doença, tem sido associado ao tabagismo. “Além disso, o cigarro prejudica demais o tratamento da doença, interferindo diretamente na efetividade dos medicamentos”, afirma.

8. Desordens vasculares

A doença de Buerger (tromboangeíte obliterante), que afeta várias extremidades, está fortemente associada ao tabagismo. “Nessa doença, os sintomas são os mesmos da redução do fluxo de sangue nas extremidades: sensação de frio, dormência, formigamento ou ardor. É mais comumente visto em homens com idade entre 20 e 40 anos que fumam muito”, diz a Dra. Paola.

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O cigarro pode contribuir para o desenvolvimento de dermatite alérgica (Imagem: Shutterstock)

9. Dermatite

O tabagismo demonstrou ter uma associação significativa com eczema ativo nas mãos. Os cigarros são um fator de risco conhecido para dermatite de contato alérgica. “Vários alérgenos potenciais de cigarros podem ser encontrados em filtros, papel e tabaco. Vários relatórios documentaram dermatite de contato irritante e alérgica ao adesivo de nicotina em alguns pacientes que tentaram parar de fumar.”

10. Câncer de pele

Apesar da presença de vários carcinógenos na fumaça do tabaco, a relação entre o tabagismo e o câncer de pele permanece controversa. “Parece haver uma correlação entre maços por dia e anos de tabagismo com o desenvolvimento de carcinoma de células escamosas, principalmente em mulheres. Mas, mais estudos precisam ser realizados para avaliar o papel do tabagismo no desenvolvimento do câncer de pele.

A dermatologista completa afirmando que “o que se sabe é que a falta de nutrição das células da pele pode prejudicar sua imunidade, o que a deixa mais suscetível aos danos ambientais do sol”. Não existe evidência conclusiva que associe o tabagismo a um risco aumentado de melanoma. “De qualquer maneira, parar de fumar ajudará a melhorar diversas condições de pele”, finaliza a médica.

Dra. Paola Pomerantzeff

Dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), tem mais de 10 anos de atuação em Dermatologia Clínica. Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina Santo Amaro, a médica é especialista em Dermatologia pela Associação Médica Brasileira e pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, e participa periodicamente de Congressos, Jornadas e Simpósios nacionais e internacionais.

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Redação EdiCase

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