5 dicas para tornar o recrutamento de pessoas autistas mais inclusivo

Algumas prรกticas podem ajudar a tornar o processo seletivo mais eficiente e respeitoso

5 dicas para tornar o recrutamento de pessoas autistas mais inclusivo
Os processos seletivos devem ser adaptados para pessoas com TEA (Imagem: fizkes | Shutterstock)

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) รฉ uma condiรงรฃo do neurodesenvolvimento caracterizada por desafios na comunicaรงรฃo social, na interaรงรฃo interpessoal e por padrรตes de comportamento repetitivos ou interesses restritos. O espectro รฉ amplo e varia de pessoa para pessoa, o que significa que os impactos do TEA podem ser leves ou mais intensos, dependendo do caso.

No ambiente profissional, pessoas autistas podem enfrentar dificuldades com a adaptaรงรฃo a mudanรงas de rotina, comunicaรงรฃo interpessoal, interpretaรงรฃo de normas sociais e excesso de estรญmulos sensoriais, como ruรญdos e luzes fortes.

No Brasil, o TEA รฉ reconhecido como uma deficiรชncia pela Lei nยบ 12.764/2012, que assegura os direitos das pessoas autistas no que diz respeito ao acesso ร  saรบde, assistรชncia social e educaรงรฃo. Alรฉm disso, a legislaรงรฃo prevรช tambรฉm a inclusรฃo dessas pessoas no mercado de trabalho, com vagas destinadas especificamente ร s Pessoas com Deficiรชncia (PcD).

Segundo Flรกvia Mentone, CEO e sรณcio-fundadora da Reponto, empresa especializada na jornada de atraรงรฃo e retenรงรฃo de pessoas com deficiรชncia, o recrutamento de autistas exige um olhar mais cuidadoso, com foco na inclusรฃo e na valorizaรงรฃo das habilidades reais do profissional.

Por isso, a seguir, a especialista explica algumas boas prรกticas que podem ser adotadas pelos RHs e recrutadores, a fim de tornar o processo seletivo mais eficiente e respeitoso. Confira!ย 

1. Descriรงรฃo clara da vaga anunciada

  • Evite termos genรฉricos como โ€œboa comunicaรงรฃoโ€ ou โ€œproatividadeโ€;
  • Verifique se as descriรงรตes refletem realmente as tarefas do cargo;
  • Especifique as atividades, o local de trabalho, a rotina e os requisitos tรฉcnicos.

2. Capacitaรงรฃo da equipe recrutadora

  • Os profissionais devem estar preparados para lidar com diferentes perfis de neurodiversidade;
  • ร‰ importante entender que algumas formas de comunicaรงรฃo ou comportamento sรฃo diferentes, mas nรฃo menos vรกlidas.

3. Etapas adaptadas

  • Evite dinรขmicas de grupo ou entrevistas com muitas pessoas. Isso pode gerar desconforto e afetar o desempenho dos candidatos neurodivergentes, devido ร  dificuldade de interaรงรฃo social;
  • Evite testes com perguntas hipotรฉticas como: โ€œcomo vocรช lidaria com…? pouco provรกvel, neutro, muito provรกvelโ€.
Mulher sendo entrevistada por recrutador em empresa
Durante a entrevista, opte por perguntas prรกticas e objetivas (Imagem: Ground Picture | Shutterstock)

4. Entrevistas

  • Evite perguntas hipotรฉticas ou abstratas, como: โ€œo que vocรช faria se…?โ€, โ€œcomo vocรช lidaria com…?โ€ ou ainda โ€œcomo lidou com algo no passado?โ€;
  • Prefira perguntas prรกticas, como: โ€œvocรช pode me mostrar como usa este software?โ€;
  • Converse com o profissional para entender suas necessidades especรญficas e coloque essas necessidades de adaptaรงรฃo no ambiente e/ou interaรงรตes sociais no parecer da entrevista;
  • Dรช instruรงรตes verbais e por escrito, garantindo que a pessoa possa consultar qualquer material posteriormente, caso seja necessรกrio;
  • Deixe claro todas as etapas do processo seletivo e os prazos. A previsibilidade ajuda a reduzir a ansiedade e melhora o engajamento no processo.

 5. Ambiente acolhedor

  • Ofereรงa materiais e formaรงรตes sobre neurodiversidade para as equipes que vรฃo receber esse profissional.

Importรขncia da preparaรงรฃo adequada

Flรกvia Mentone explica que a diversidade no ambiente de trabalho sรณ se torna realmente efetiva quando hรก uma preparaรงรฃo adequada para receber e, de fato, integrar pessoas autistas ร s equipes. “Alรฉm das adaptaรงรตes no ambiente, o aspecto humano รฉ essencial e, por isso, as empresas precisam investir na formaรงรฃo e letramento de gestores e pessoas que exercem um papel de lideranรงa dentro das organizaรงรตes. A partir disso รฉ possรญvel desenvolver um ambiente empรกtico e de escuta ativa que verdadeiramente serรก inclusivo para as pessoas com TEA”, finaliza a CEO da Reponto.

Por Maria Julia Cabral

Redaรงรฃo EdiCase

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