Rins! Os órgãos responsáveis por filtrar o sangue

Rins! Os órgãos responsáveis por filtrar o sangue

Saiba como prevenir e tratar pedras nos rins

Os rins têm o formato parecido com o grão do feijão, cada um tem em média 140 g, ficam localizados na parte posterior do abdômen, perto da coluna vertebral. Além de serem responsáveis pela filtração do sangue, possuem diversas funções. “Entre elas, o controle de ácido básico, a eliminação do excesso de sais que ficam armazenados no nosso sangue como sódio, potássio, magnésio, cálcio, e também controlar nossa pressão arterial, quando os rins começam a dar sinal de alguma doença crônica, começam a se manifestar em níveis mais elevados”, explica André Luis Baracat, nefrologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Papel da água

Os rins também são responsáveis por controlar a quantidade de água no nosso organismo. O consumo de água é fundamental para o bom funcionamento desses órgãos além de algumas atitudes. “Evitar uso de anti-inflamatórios, controlar consumo de proteína, realizar periodicamente exame de urina I e USG renal, para fazer diagnóstico precoce de cálculos renais, tumores e nefrites”, aconselha o urologista Luiz Renato Montez Guidoni. A hidratação é fundamental para a saúde do fígado. “Se você pegar seu peso e multiplicar por 30, pode manifestar um hábito saudável de ingerir água e fazer com que seu rim funcione de forma saudável”, indica o nefrologista André Luis Baracat.

Previna-se!

De acordo com o nefrologista, a melhor maneira de proteger os rins é por meio da prevenção. “Existem doenças que são hereditárias e que podem afetar o rim no futuro, então é  preciso  rastrear a presença dessas doenças na família, procurar sempre fazer um check-up após os 40 anos de idade, após essa idade, pelo patamar de envelhecimento, nós perdemos 1% da função dos rins ao ano, isso significa que o envelhecimento faz o rim se tornar um órgão com uma doença crônica”, analisa.

Veja outras atitudes citadas pelo médico para manter a saúde dos rins:

  • Praticar exercícios físicos regulares;
  • Evitar o excesso de sal, carne vermelha e gorduras;
  • Controle de peso corporal;
  • Controle da pressão arterial;
  • Controle do colesterol e da glicose;
  • Não fumar;
  • Não abusar de bebida alcoólica;
  • Evitar o uso de anti-inflamatórios não hormonais;
  • Realizar, uma vez por ano, exames laboratoriais para avaliar a saúde dos rins: dosagem de creatinina no sangue e análise de urina;
  • Consultar regularmente seu clínico;
  • Não fazer uso de medicamentos sem prescrição médica.

Para prevenir doençasnos rins é preciso manter uma dieta saudável, evitar fumar, suplementos de proteína, uso de anti-inflamatórios não hormonais e antibióticos, a automedicaçãoé um fator que pode trazer graves consequências.

Doenças que afetam os rins

Os rins são afetados por diversas doenças, no Brasil, três delas são mais frequentes: a pressão arterial alta, o diabetes e a obesidade. “Elas podem aparecer isoladamente ou concomitantemente, ou seja, um paciente obeso pode desenvolver diabetes e hipertensão ao mesmo tempo. Outras doenças que são consideradas importantes para afetar os rins são as doenças cardiovasculares, por exemplo, a arteriosclerose  e as doenças que podem comprometer o fluxo sanguíneo do próprio coração como as coronariopatias”, explica o nefrologista André Luis Baracat.

Pedra nos rins

O cálculo renal, mais conhecido como pedras nos rins, são formações endurecidas nos rins ou nas vias urinárias, resultantes do acúmulo de cristais existentes na urina, que se tornou muito concentrada. Pode afetar qualquer pessoa, mas alguns grupos são mais atingidos. “É mais prevalente em pacientes com antecedente familiar de litíase renal, obesos, com aumento de ácido úrico, após cirurgia bariátrica e usuários de medicações que ajudam a formar cálculos, como o topiramato”, analisa o urologista Luiz Renato.


Causas das pedras nos rins

A pedra pode ser microscópica ou pedras que podem ter alguns centímetros. “Dentro da nossa população, talvez a maior causa de formação de causa seja a hereditariedade, passada de pai para filho, não tem como concertar  e a segunda, a infecção do trato urinário, mais presente nas mulheres”, analisa André Luis Baracat.

Sintomas:

  • Dor intensa que começa nas costas e irradia para o abdômen em direção à região inguinal. É uma dor que se manifesta em cólicas, ou seja, com um pico de dor intensa seguido de um período de alívio. Em geral, essas crises são acompanhadas por náuseas e vômitos.
  • Alteração na cor da urina pela presença de sangue. Ela pode se tornar avermelhada ou escurecida, seguida ou não de dificuldade para urinar.
  • Suspensão ou diminuição do fluxo urinário.
  • Como causa principal está uma herança genética associada a hábitos de vida pouco saudáveis, como o excesso de ingestão de sódio, de alimentos ricos em proteína animal e uma baixa ingestão de líquidos.

Como prevenir pedras nos rins

Para prevenir  o surgimento de pedras nos rins, recomenda-se o consumo de pelo menos 2 litros de agua por dia e uma dieta com pouco sal e pouca proteína. “Além disso, a obesidade está relacionada com a formação dos cálculos. Uma vez formado o cálculo, ele pode sair espontaneamente ou ser removido cirurgicamente. Somente cálculos de ácido úrico tem alguma possibilidade de serem dissolvidos”, explica o urologista.

Grupos de risco

Pessoas que têm infecção urinaria por repetição por alguns germes específicos, como por exemplo, o germe proteus, uma bactéria comum na flora da bexiga, que pode desencadear estados de infeção aguda e essas infecções podem a longo prazo estabelecer a formação do cálculo renal. “Outro grupo de risco inclui os obesos submetidos à cirurgia bariátrica, no momento que o paciente se torna um paciente com redução de estômago, cria condições metabólicas dentro do seu intestino que o faz ser mais suscetível ao desenvolvimento de cálculos renais”, explica André Luis Baracat.

Tratamento

Uma opção para o tratamento da cólica renal é o uso de analgésicos, para alívio da dor. “A partir do momento que os exames confirmarem o quadro de obstrução das vias urinárias por cálculo, o tratamento pode ser feito de diversas formas, a depender da intensidade e frequência da dor, presença de febre, alteração na função dos rins e característica dos cálculos, como o seu tamanho, localização e consistência”, analisa o médico Luiz Renato Montez Guidoni.

O urologista explica os principais tratamentos:

Tratamento clínico

De acordo com o urulogista, o tratamento clínico é feito com  medicamentos que combatem a dor e facilitam a expulsão do cálculo, e caso haja a necessidade de um procedimento emergencial, costuma ser simples e pouco invasivo. “Com alta hospitalar precoce e recuperação relativamente curta”, completa.

Ureterolitotripsia Transureteroscópica

De acordo com o urologista Luiz Renato, consiste em uma endoscopia através da uretra (canal urinário externo), no qual é visualizado, fragmentado e retirado o cálculo do ureter. Usualmente no mesmo procedimento é colocado um dreno da via urinária (que fica totalmente interno no paciente), chamado cateter duplo j, que consiste em um fino tubo de silicone que facilita a passagem da urina represada nos rins, e que é retirado alguns dias após o primeiro procedimento. Outro procedimento que pode ser realizado é a Litotripsia Extracorpórea com Ondas de Choque (LEOC ou LECO), utiliza um aparelho que emite ondas de choque, que ao atingir o cálculo, normalmente fragmenta-o, com posterior eliminação deste, pela urina do paciente.

Ureterolitotripsia flexível com colocação de cateter duplo j

É o procedimento mais utilizado para a retirada de cálculos na ausência de cólica renal. Esta cirurgia tem como objetivo a fragmentação e retirada de cálculos do rim por método endoscópico, ou seja, fazendo o caminho contrário da urina, a partir do orifício da uretra. Não há necessidade de incisões ou cortes. O procedimento consiste em passar uma micro câmera, chamada ureteroscópio flexível, pela uretra, atingindo a bexiga e seguindo em direção ao rim pelo ureter até a identificação dos cálculos. Uma vez localizada, as pedras são fragmentadas por Laser e os fragmentos são retirados com uma cesta especial, chamada basket ou dormia.

Vantagens

As vantagens desse procedimento são: possibilidade de fragmentação e retirada dos cálculos maiores em um só tempo, possibilidade de resolver vários cálculos em diferentes posições do rim e poder ser realizado em pacientes com sobrepeso e em uso de anticoagulantes.

Ao final da cirurgia, é necessária a colocação de um cateter chamado duplo J: trata-se de um fino tubo maleável, posicionado dentro do ureter com uma extremidade dentro do rim e outra na bexiga. A função deste cateter é impedir que haja obstrução do ureter no período pós-operatório e facilitar a saída de cálculos que ainda estejam no paciente. Além do cateter duplo J, pode também ser colocada uma sonda externa, para drenagem de urina nas primeiras horas após o procedimento.

O procedimento é realizado com anestesia geral, sempre em ambiente hospitalar.

Tratamento natural

Os remédios naturais possuem propriedades que podem ajudar no tratamento e prevenção de diversas doenças, a planta quebra-pedra é uma delas. “Pacientes que sofrem de cálculo renal, que são pedras nos rins , podem fazer uso do famoso chá de quebra-pedra, ele tem o poder de inibir a formação de pedra, mas já ficou comprovado que, para que isso aconteça e traga benefícios para quem está usando, a erva deve ser ingerida em altíssimas quantidades”, explica André Luis Baracat.O nefrologista  ressalta que esse tratamento natural apresenta resultados a longo prazo, consumindoalguns litros por dia.

Outras doenças que afetam os rins

Os rins podem ser afetados por diversas doenças, como:

– Doenças que agridem os vasos, como hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemia (aumento de gorduras no sangue), tabagismo e estresse.

– Doenças sistêmicas que causam nefrite, por exemplo colagenoses e doenças reumáticas.

– Obstrução das vias urinárias (por cálculos ou tumores da região pélvica, como por exemplo de útero, próstata e reto)

– Tumores renais, podendo ser malignos (câncer) ou benignos (rim policístico)

Insuficiência renal

A insuficiência renal pode ser aguda ou crônica. “A aguda geralmente é aquela que faz o rim perder a função de forma rápida e transitória, a crônica é aquela que faz o rim perder função em caráter paulatino, duradouro, até  o paciente chegar em fases terminais necessitando de hemodiálise, terminal para o órgão, não para a vida”, esclarece o nefrologista André. Segundo o nefrologista, a insuficiência renal aguda geralmente acontece dentro de instituições hospitalares. “A não ser que a pessoa desenvolva um surto de desidratação muito grave dentro de sua casa ou até mesmo uma infecção urinária, pulmonar que possa afetar o rim secundariamente, já a crônica, afeta o rim paulatinamente”, complementa.

Sintomas da insuficiência renal aguda

O urologista  Luiz Renato, cita os sintomas da insuficiência renal aguda:

Retenção de líquidos, causando inchaço nas pernas, tornozelos ou pés

– Sonolência

– Falta de apetite

– Falta de ar

– Fadiga

– Confusão mental

– Náusea e vômitos

– Convulsões ou coma, em casos graves

– Dor ou pressão no peito.

Para tratar a insuficiência renal aguda, é preciso tratar a doença ou condição médica que causou a perda renal. “Com uso de medicações e hidratação adequada e possivelmente realização de hemodiálise temporariamente”, explica o urologista Luiz.

Sintomas de insuficiência renal crônica

Luiz Renato, cita os sintomas de insuficiência renal crônica:

Mal-estar geral e fadiga

Coceira generalizada e pele seca e pálida

Anemia

Dores de cabeça

Perda de peso não intencional

Perda de apetite

Náuseas

Pele anormalmente clara ou escura

Dor nos ossos

Sonolência e confusão

Dificuldade de concentração e raciocínio

Dormência nas mãos, pés e outras áreas do corpo

Espasmos musculares ou cãibras

Mau hálito

Fácil aparição de hematomas, hemorragia ou sangue nas fezes

Sede excessiva

Soluços frequentes

Baixo nível de interesse sexual e impotência

Interrupção do período menstrual (amenorreia)

Distúrbios do sono, como insônia, síndrome das pernas irrequietas e apneia noturna

Inchaço de mãos e pernas (edema)

Vômitos, normalmente pela manhã

Tratamento da insuficiência renal crônica

O tratamento da insuficiência renal crônica é feito com diálise peritoneal ou hemodiálise e transplante renal. É possível ter uma vida normal e saudável com apenas um rim. Precisamos de 1/3 de um dos rins para viver sem problemas. Mas se a pessoa possui apenas um dos órgão precisa cuidar melhor dele. “Um rim saudável é aquele que consegue filtrar em média 180 litros de sangue por dia, esses 180 litros de sangue por dia, bombeados pelo nosso coração, desencadeia a produçãoem médiade 2 litros e meio a 3 litros de urina, para aquelas pessoas que se mantêm hidratadas e não fazem uso de nenhum tipo de diurético”, descreve o nefrologista André. Para verificar a saúde do rim o ideal é que se faça o exame de creatinina, que vai avaliar todo o funcionamento do órgão.

Matilde Freitas

Jornalista, geminiana e vegetariana. Possui mais de 8 anos de experiência no mercado editorial. Além de produzir diversos conteúdos para EdiCase Publicações e Portal EdiCase, escreve para revistas e sites ligados ao veganismo e ao empoderamento feminino.

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