Entenda por que os gatos são abandonados

Entenda por que os gatos são abandonados
Muitos gatos são abandonados pelos tutores por falta de informação (Imagem: Shutterstock)

Os gatos costumam ser escolhidos por pessoas que não têm muito tempo ou que ficam pouco em casa. Eles são livres e espertos, mas também precisam de carinho e atenção. “Escolhi o gato por sua independência. Embora sejam muito carinhosos, eles [os gatos] não veem problema algum em ficar sozinhos durante todo o dia e, como eu trabalho, meu gato acaba ficando sozinho por muito tempo. Eles usam este tempo em que os donos não estão para dormir”, conta a jornalista Fernanda Paraizo.

Mesmo não exigindo tanta atenção, muitos gatos acabam abandonados por seus tutores que não sabem como lidar com os bichanos quando acontece algum imprevisto. “O caso mais compreensível é quando alguém no lar passa a ter alergia muito forte com o gato, o que faz com que algumas pessoas o devolvam em lágrimas”, explica Albert Viana, voluntário da ONG Toca dos Gatinhos.

Animais abandonados

Diversos indivíduos abandonam os gatinhos, pois surgiu uma gravidez na família ou alegam que os gatos não são carinhosos. Porém, muitas vezes, o motivo é a falta de informação. “Muitas crias indesejadas surgem porque algumas pessoas acreditam, erroneamente, que a gata tem que ter ao menos uma cria, o que é absurdo, pois o ideal é as gatas serem castradas antes do primeiro cio, assim as chances de tumor de mama são inferiores a 1%”, afirma Albert Viana.

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Quanto maior o número de crias, maior será o número de animais abandonados. Muitos acreditam que não precisam se preocupar com a castração dos machos. No entanto, eles podem engravidar várias gatas e piorar o problema de abandono. Além disso, o felino que não é castrado pode começar a urinar pela casa, brigar com outros da espécie e até pegar doenças transmissíveis.

Devolução após a adoção

Tatiana Sales, fundadora e presidente da ONG Confraria dos Miados e Latidos, cuida diretamente da adoção e, infelizmente, da devolução dos bichinhos. Ela relata as principais justificativas dos donos. “Alergia ao pelo do gatinho é o principal motivo, seguido pela falta de paciência na adaptação. Acontece muito de o adotante achar que o animalzinho não vai se adaptar, vai estranhar a casa nova nas primeiras horas ou porque o animalzinho que já tem em casa não aceita o novato logo de cara”, afirma. Ela acrescenta que a adaptação dos felinos demora mais quando comparada a dos cachorros.

Mulher sentada no sofá e fazendo carinho no gato caramelo e branco no colo
A adoção de um gato deve ser pensada e avaliada com cuidado (Imagem: Shutterstock)

Encontro de um novo lar

Se existem pessoas que abandonam os gatinhos, também existem ONGs e pessoas dispostas a acolhê-los. “A Toca dos Gatinhos é um grupo de voluntários que, com muitas dificuldades, recolhe gatos abandonados e os encaminha para adoção”, explica Albert Viana. Após o acolhimento, os animais recebem os cuidados necessários, para que possam receber uma nova família. “Os gatos recolhidos são cuidados, castrados e depois encaminhados para adoção”, acrescenta.

A partir desse momento, começa uma nova busca, mas nem sempre é fácil encontrar uma nova família. A maioria das instituições não consegue atender aos pedidos de resgate, e muitos gatos continuam nas ruas. Às vezes, as pessoas querem adotar, mas fazem algumas exigências que limitam muito esse processo. Acreditam que o gatinho precisa ser recém-nascido para se acostumar ao novo lar, além de rejeitarem gatos pretos e sem raça definida.

Adote apenas se tiver certeza

É ótimo ter um bichinho para dar carinho e atenção. Eles estão sempre ali e não lhe pedem nada em troca, além de amor. Os gatos são considerados animais independentes, mas também merecem e precisam de cuidados. Se você nunca estará presente, talvez a melhor opção seja não adotar.

Albert Viana aponta algumas questões importantes que devem ser analisadas antes da adoção:

  • Não se aconselha a adoção por pessoas que moram com outras que não estão de acordo com a adoção ou que não tenham condições financeiras adequadas para cuidar do pet;
  • É preciso pensar no futuro também. Verificar se há perspectiva de se mudar e se poderá levar os animais;
  • Se, no lar, alguém pretende ter crianças ou engravidar, melhor informar-se antes, para depois não devolver o bichano.

Não adianta ficar com pena do felino abandonado e, depois, fazer o mesmo que o tutor anterior. Antes de adotar, tenha certeza de que é exatamente isso que você quer.

Matilde Freitas

Jornalista, geminiana e vegetariana. Possui mais de 8 anos de experiência no mercado editorial. Além de produzir diversos conteúdos para EdiCase Publicações e Portal EdiCase, escreve para revistas e sites ligados ao veganismo e ao empoderamento feminino.

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