Aracaju: conheça a beleza delicada da capital sergipana

Aracaju: conheça a beleza delicada da capital sergipana
Aracaju, Sergipe (Imagem: Shutterstock)

Você já ouviu falar em Cajueiro dos Papagaios? Quem conhece a capital sergipana se apaixona. Aracaju significa exatamente isso: “ara” é papagaio, e “acayu” é o fruto do cajueiro, na língua indígena. A cidade pode ser considerada a capital nordestina mais tranquila, com cerca de 750 mil habitantes, e comparável aos municípios mais bem-estruturados do interior do Brasil.

Com belos atrativos naturais, é cortada por três grandes rios e imensos manguezais e oferece belos parques, lindas praias, algumas quase desertas, além de inúmeras praias fluviais. O tom meio castanho das águas do mar de lá é em função da grande quantidade de água doce dos rios que desaguam em suas praias, tornando a cor parecida com “Toddynho”, como os moradores locais apelidaram as águas.

Melhor época para visitar

O ano inteiro. Aracaju tem temperatura média constante de 27 graus. No verão, especialmente nos meses de janeiro e fevereiro, as temperaturas podem chegar a 34 graus. A vantagem é que o vento é constante, e as noites costumam ser fresquinhas. Entre maio e agosto, as chuvas e as precipitações são mais constantes, principalmente em junho, mês em que a capital se transforma na cidade do forró, com as programações juninas do Forró Caju.

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Orla do Atalaia

O clima é agradável e constante, e a população é para lá de hospitaleira. A maioria dos hotéis e pousadas está localizada na orla de Atalaia, um dos locais mais bonitos e turísticos da cidade. Lá, os visitantes irão encontrar uma orla bonita e bem-estruturada.

Dá para praticar todos os esportes, inclusive vôlei, futebol, basquete, skate e ainda realizar caminhadas relaxantes, além de possuir uma enorme pista para os ciclistas. O local abriga uma das principais atrações da cidade de Aracaju, o Oceanário, mantido pelo Projeto Tamar, com apoio da Petrobras, e é o maior do Nordeste e o quinto maior do Brasil.

Localizado a poucos metros da praia, tem cerca de 90 espécies de animais encontrados no mar e em rios de Sergipe. Há, ainda, um tanque especial, onde é possível tocar em alguns deles, com a orientação de biólogos e monitores. A alimentação dos tubarões é a hora mais esperada pelos visitantes, que podem acompanhar e até tocar no temido rei dos mares. A visitação acontece de terça a domingo, das 10h às 17h, e a entrada custa R$ 30 (adultos) e R$ 15 (estudantes e idosos).

Atividades na Praia do Atalaia

A orla da Praia de Atalaia é onde tudo acontece. O local tem espaço para a prática de exercícios físicos, pista de patinação, de skate, quadras de esporte, bares, restaurantes e vários quiosques onde se pode experimentar a tapioca mais tradicional do Nordeste.

Há opções de hospedagem para todos os bolsos e os gostos, desde charmosas pousadas, passando por ótimos hotéis executivos e resorts. Quase ao final da orla, no sentido sul, fica a Passarela do Caranguejo. Lá, é possível visitar os famosos arcos, símbolo maior do local. É o ponto mais frequentado por surfistas. Os bares de praia com melhor estrutura para os banhistas ficam mais adiante.

Outras opções de lazer

Experimente visitar a barraca Com Amor Beach Bar, na Praia do Refúgio, que oferece completa estrutura para a família — excelente opção para um delicioso banho de mar. No local, as crianças aproveitam as piscinas e podem se divertir nos toboáguas e no playground, enquanto os adultos se refrescam nas espreguiçadeiras, bebendo uma cerveja geladinha e fazendo uma boa caminhada pelas areias douradas e fofinhas.

A Marinete do Forró é um ônibus com decoração que remete aos festejos juninos, pega os turistas nos hotéis e os leva para fazer um tour histórico por Aracaju. O forró embala os turistas durante o trajeto, que inclui os principais pontos da cidade, como a Orla de Atalaia, o Monumento do Caju, a Catedral Metropolitana, entre outros.

Pôr do sol à beira do mar e barcos na areia da praia
Orla do Pôr do Sol, Aracaju (Imagem: Shutterstock)

Orla do Pôr do Sol e Croa de Goré

A Orla do Pôr do Sol faz jus ao nome. É o local perfeito para assistir ao fenômeno da natureza e tirar belas fotos. Dali, saem os catamarãs que chegam a levar até 200 pessoas para a Croa do Goré, um banco de areia que se forma durante a baixa maré, bem no meio do rio Vaza Barris. Goré é o nome popular de um pequenino crustáceo.

A Croa do Goré fica repleta de visitantes, possui estrutura completa, com cadeiras, guarda-sóis, redes coloridas que ficam penduradas na altura da água proporcionando um refrescante banho de rio. Jogos e uma espécie de bar que serve petiscos, espetinhos e deliciosos sucos completam os serviços.

Passeio na Ilha dos Namorados

O passeio leva, ainda, à Ilha dos Namorados, já no encontro das águas do rio com o mar, e faz uma panorâmica por pequenas ilhotas do rio que esperam a maré alta para ficarem apenas com sua vegetação em destaque. Quem preferir algo mais personalizado pode alugar barcos menores, que variam entre 4 e 30 pessoas. O passeio à Croa do Goré dura aproximadamente três horas e custa R$ 120,00 por pessoa. Os barcos saem diariamente nas férias, nos finais de semana e feriados prolongados.

Outras atrações pertinho da capital

Aracaju é o ponto de partida para a visitação a outros atrativos do estado de Sergipe, como passeios a São Cristóvão, à antiga capital, a Laranjeiras — importante cidade histórica —, aos cânions de Canindé do São Francisco e, ainda, às trilhas da Serra de Itabaiana, com visita ao Parque dos Falcões. Cortado pelo rio homônimo, Sergipe significa, em tupi, “Rio de Siris”.

Praias de Aracaju

As praias de Aracaju são um convite ao ócio. Todas, sem exceção, com excelente balneabilidade. Você pode começar o seu roteiro visitando as praias do litoral sul. A partir do término de Atalaia, surgem, até a Foz do Rio Vaza Barris, as belíssimas praias de Banho Doce, Aruana, Robalo, Náufragos e Refúgio.

Todas elas oferecem bons serviços de bares e restaurantes com ótima estrutura de serviços. Mais ao sul, no município de Estância, vale ficar um dia todo passeando na Praia do Saco, que oferece um ambiente natural e paradisíaco de águas mornas e areias fininhas, rodeada de extenso coqueiral. Existem vários bons restaurantes.

Faça o passeio de bugue com duração de uma hora e meia. Se preferir, dê uma esticadinha para conhecer Mangue Seco, já na divisa com a Bahia, e confira porque a novela Tieta de Jorge Amado foi gravada ali. Em direção ao litoral norte, várias praias merecem uma visita, entre elas a quase deserta Jatobá, que abriga um enorme parque eólico.

Porém, a grande “cereja do bolo” é a Praia de Pirambu, berçário das tartarugas-marinhas, de areias douradas e pequenas piscinas naturais para o delírio da criançada. O local é o ponto de partida para um roteiro ecológico ainda pouco explorado. Além das praias, compõem essa linda paisagem dunas, mangues, cachoeiras, riozinhos, lagoas e pequenos vilarejos de pescadores e artesãos.

Lagoa Redonda

Depois de tomar bastante sol e se banhar nas águas esverdeadas do litoral de Pirambu, vale a pena visitar a Lagoa Redonda. São 19 quilômetros de bucólica estrada de terra. As dunas branquinhas derramam suas areias no riacho da lagoa conhecido como “pequeno deserto”, transformando o lugar em um verdadeiro oásis. Do alto das dunas, a vista tem duas direções: uma para o mar e outra para o manguezal.

Você pode descer as dunas de sandboard ou skibunda. Há um paredão enorme de areia que proporciona uma descida radical e emocionante que acaba com um mergulho refrescante na lagoa. O município de Santa Isabel é quase que totalmente uma enorme área de proteção ambiental e oferece praias intocadas e fazendas de coco e gado. Vale ir até a divisa e fazer o passeio até a Foz do Rio São Francisco, que divide Sergipe de Alagoas.

Lugares poucos explorados da capital

Não deixe de visitar o povoado Cabeço, onde se pode admirar o antigo farol. Em Brejo Grande, pode-se comprar doces de frutas e deliciosas cocadas. Sergipe ainda tem alguns locais bem pouco explorados. Pacatuba, a 116 km de Aracaju, é o principal exemplo. Ainda sem infraestrutura para o turismo, é desfrutada apenas pelos nativos da região e por poucos turistas aventureiros.

A região fica perto da foz do Rio São Francisco e esconde enorme diversidade de fauna e flora. Para chegar ao mar, é necessária a maré baixa, e há apenas um caminho. É formada por coqueiros, areia clara e fofa e é praticamente deserta. Como a sinalização é precária, é preciso pedir informação aos moradores, e a melhor referência para chegar ao mar é o Pontal dos Mangues.

Diferentemente do que se possa imaginar, o melhor da região não é a praia, mas sim o que há em volta dela. Pacatuba tem um enorme trecho preservado de Mata Atlântica que esconde dunas, lagoas costeiras, pântanos e manguezais, apelidados “Pantanal Sergipano” ou “Pantanal de Pacatuba”.

Rica culinária

Experimentar pelo menos um prato típico faz parte da rotina do turista. Entre as opções mais procuradas, estão caldinho de sururu, torta de mandioca com charque e pratos com caranguejo — os mais tradicionais. O mais comum é o caranguejo cozido com verduras e servido com vinagrete e pirão, ou preparado com leite de coco. Para quem não gosta dessa alternativa, há pastel de caranguejo, patas à milanesa, moqueca, fritada e casquinha de caranguejo.

Aracaju tem vários bares e restaurantes à beira-mar com opções de culinárias regional, oriental, italiana e algumas lanchonetes. Quem gosta de carne de sol deve experimentar a Carne do Sol do Ramiro, bem como os pratos do Restaurante do Miguel. A iguaria é servida com arroz, vinagrete, pirão de leite e farofa. Custa, em média, R$ 85,00 para duas pessoas.

Quem preferir as comidas mais rápidas pode encontrar, nas praças de alimentação dos shoppings Riomar e Jardins, variadas opções de restaurantes e fast-food. Os dois endereços têm boas lojas e modernas salas de cinema para um programinha noturno e mais urbano.

Fachada do Museu da Gente Sergipana, em Aracaju
Museu da Gente Sergipana, Aracaju (Imagem: Shutterstock)

Aracaju além das praias

O Museu da Gente Sergipana, inaugurado no final de 2011, conta a história do estado e de seu povo. O acesso ao museu é gratuito de terça-feira a domingo e feriados, das 10h às 15h, mediante agendamento. Tem estacionamento e acessibilidade. Totalmente interativo, suas exposições permanentes e temporárias vão agradar a toda a família. No percurso da visita, os visitantes são convidados a conhecer a riqueza e a complexidade da cultura popular sergipana, assim como as belezas naturais do Nordeste.

Podem, também, deixar seu registro, fazendo a leitura de um cordel e gravando para a posteridade. Ao final da visita, uma passadinha no Café da Gente para provar as delícias típicas da cidade. Outra parada obrigatória é o Mirante da 13 de julho, localizado na avenida Beira Mar. De lá, é possível ver o encontro do Rio Sergipe com o mar, o mangue que acompanha o calçadão onde os moradores praticam exercícios físicos e a rotina da cidade.

A visita pode ser feita das 9h às 18h, de terça a sexta-feira, das 9h às 13h e das 16h às 20h aos sábados. Bem pertinho dali, uma dica para o final da tarde é deliciar-se no restaurante Mangará. Lá é o ponto de encontro da sociedade sergipana. Os turistas se deparam com um buffet de pratos quentes, frios, doces, sopas e saladas. São mais de 100 itens. Destaque aos pratos nordestinos, como o escondidinho de carne seca, as deliciosas tortas de frango e palmito, as tapiocas e os bolos de queijo com goiaba, além do famoso bolo de rolo.

Parque da Cidade

No Parque da Cidade, criado há mais de 30 anos, o moderno teleférico nos leva a um mirante incrível, de onde se avista o mar e os rios que cortam Aracaju, a Mata Atlântica preservada do parque e a Ilha de Santa Luzia. Assim, então, entendemos a bela geografia da cidade. O parque também abriga o zoológico, com cerca de 400 animais de 46 espécies, além de área para prática de exercícios e piquenique.

Lembrancinhas, frutas e cheirinhos de Sergipe nos mercados

O Mercado Municipal Governador Albano Franco, construção de 1926, comercializa frutas, alimentos e roupas. Já o Mercado Thales Ferraz, de 1949, oferece uma infinidade de artigos: lá tem lembrancinhas que cabe em todos os bolsos. No local, também é possível encontrar camisas e vestidos de algodão, bonecas de pano, camisetas, objetos de decoração feitos de barro, palha, madeira e itens de cozinha bordados à mão em diversas técnicas.

A grande área livre situada na região dos mercados, denominada Praça Hilton Lopes, é palco para os grandes eventos que acontecem em Aracaju, a exemplo do Forró Caju, sempre no mês de junho. O cheiro das frutas tropicais, das ervas, a grande oferta de frutos do mar, dos queijos e derivados, a farinha e a grande quantidade de artesanato fazem desse o lugar perfeito para adquirir uma lembrancinha.

O que não pode deixar de levar

Impossível não levar para casa a castanha salgada, a manteiga, o requeijão caseiro e o queijo coalho. Os doces de goiaba e caju em compotas e a rapadura são os mais vendidos. Já na lojinha “Galega das Ervas”, você pode encontrar mais de 300 plantas utilizadas em uso medicinal.

Como chegar

De carro: é possível chegar a Aracaju a partir da BR-235 e da BR-101, que cortam o estado. Para quem parte da Bahia, uma opção é pegar a Linha Verde, estrada que margeia o litoral.

De avião: quem parte de São Paulo pode pegar os voos da Azul, Gol e Latam, que partem de Congonhas, Guarulhos e Campinas. Consulte o site das aéreas e programe a compra antecipada para garantir as melhores tarifas.

Texto originalmente publicado na revista Qual Viagem (Edição 105). 

Por Cláudio Lacerda Oliva

Redação EdiCase

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