Medo: entenda o que pode desencadeá-lo

Medo: entenda o que pode desencadeá-lo

Psiquiatra explica quais situações podem contribuir para o surgimento desse sentimento

Pode ser estranho pensar, mas o medo não é algo ruim e, muito menos, prejudicial, desde que não seja paralisante. Ele é uma reação natural do organismo quando se vê frente a uma situação nova, desconhecida ou desafiadora. A principal função é nos proteger, agindo como um aviso para que possamos nos preparar para uma situação de risco.

Como o medo age no cérebro

De acordo com o Dr. Catulo Cesar Barros, psicólogo e psiquiatra do Centro de Dor do Hospital Nove de Julho, as relações entre a amígdala (estrutura localizada no centro do cérebro) e o hipotálamo, também no cérebro, estão intimamente ligadas às sensações de medo e raiva.

“A amígdala é responsável pela detecção, geração e manutenção das emoções relacionadas ao medo, bem como pelo reconhecimento de expressões faciais de medo e coordenação de respostas apropriadas à ameaça e ao perigo”, esclarece.

Acompanha o homem desde sempre

O medo faz parte da nossa história. Ele existe desde a nossa origem e, talvez, até muito antes dela. “Tanto a raiva quanto o medo são considerados estados de preparação do organismo para enfrentar situações desconhecidas. Surgiram, provavelmente, há centenas de milhões de anos, com os primeiros répteis que escaparam de seus predadores e se espalharam pelo mundo. E continuam existindo em muitos animais, incluindo os mamíferos. Entre eles, o ser humano”, conta o psiquiatra.

Saudável ou patológico?

O medo é benéfico quando auxilia o indivíduo a se adaptar às circunstâncias do ambiente. Por exemplo, quando há um perigo real e imediato a ser enfrentado, explica o Dr. Catulo Cesar Barros.

“Ele se torna patológico quando se refere a um estímulo do ambiente que não se constitui em uma verdadeira ameaça, embora desencadeie as mesmas emoções de um perigo real. Neste caso, passa a se denominar fobia”, diferencia.

O que é fobia?

As fobias são determinadas pelos medos persistentes e irracionais em relação a um objeto específico, atividade ou situação, mas que, na realidade, não apresentam perigo algum. Esse medo exagerado resulta em uma necessidade incontrolável de evitar este estímulo. Se isto não é possível, o confronto é precedido por ansiedade antecipatória e realizado com grande sofrimento e comprometimento do desempenho.

Tipos de fobias

Existem diversos tipos de fobias, que podem ser divididos de acordo com a causa do transtorno. De acordo com Dr. Catulo Cesar Barros, psicólogo e psiquiatra do Centro de Dor do Hospital Nove de Julho, as principais fobias podem ser divididas em:

  • Agorafobia

Designa medo de diversas situações: sair ou ficar desacompanhado, entrar em lojas, mercados, lugares públicos abertos ou fechados, transporte coletivo, carros, andar em vias expressas e congestionamentos.

“Nos casos mais graves, o paciente não consegue sair de casa, ou só pode fazê-lo acompanhado, gerando grande comprometimento da vida pessoal e familiar. Uma avaliação mais fina mostra que ele não teme as situações, mas tem medo de sentir sensações corporais de ansiedade ou crises de pânico nelas. Este medo do medo é a característica fundamental da agorafobia”, explica o especialista.

  • Síndrome do pânico

É a denominação utilizada para o conjunto de manifestações englobadas pelos conceitos de transtorno de pânico e agorafobia.

  • Fobia social

É o medo excessivo de situações em que a pessoa possa ser observada ou avaliada pelos outros, pelo temor de se comportar de modo embaraçoso ou humilhante. “Se for impossível evitar a situação, ele apresenta ansiedade patológica, podendo chegar a um ataque de pânico. As situações mais comuns são: participar de festas ou reuniões, ser apresentado a alguém, iniciar ou manter conversas, falar com pessoas em posição de autoridade, receber visitas em casa, ser observado durante alguma atividade (comer, beber, falar, votar, usar o telefone), ser objeto de brincadeiras ou gozação e usar banheiros públicos”, descreve.

Sintomas das fobias

Os sintomas dessas fobias são semelhantes ao chamado ataque de pânico. Isto é, devem estar presentes sintomas como palpitações, taquicardia, sudorese, tremores e boca seca. Também podem estar acompanhados de outros sintomas, tais como: dispneia, engasgo, precordialgia, náusea ou desconforto abdominal, tontura, desrealização, medo de morrer ou perder o controle, rubor ou alterações de sensibilidade.

Tratamento para o problema

O tratamento mais eficaz e rápido é com a ajuda de um psiquiatra, que é especialista em distúrbios das emoções. “O psiquiatra utilizará antidepressivos no tratamento, pois são medicamentos que irão estabilizar neurotransmissores, que controlam a química das emoções, nas áreas cerebrais responsáveis”, esclarece Catulo Cesar Barros.

Associados a estes medicamentos pode ser feito um tipo de terapia comportamental cognitiva, chamada terapia de exposição. “Combinada com técnicas de relaxamento, essa terapia é muito eficaz e proporciona ao indivíduo um sentimento de controle da fobia”, acrescenta Barros.

É importante frisar que todos os casos de fobias devem e podem ser tratados, sempre que se constituírem em obstáculo para uma melhor qualidade de vida para o portador.

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Redação EdiCase

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