Turismo no Catar: conheça o país que vai sediar a Copa do Mundo

Turismo no Catar: conheça o país que vai sediar a Copa do Mundo
Doha, capital do Catar (Imagem: Shutterstock)

Com o fascínio do conto Aladim e sua lâmpada mágica, o país do Oriente Médio que sediará a Copa do Mundo reúne um mar turquesa, o calor do deserto e a magia de ser um pedacinho de terra que preserva cultura, história e tradições milenares, mas que também possui uma arquitetura futurista e o glamour de um país que é um dos mais ricos do mundo.

Tudo no Catar é superlativo: o mar que concede às suas orlas o turquesa transparente das águas do Golfo Árabe, o calor do clima desértico e os neons que entrelaçam os altos edifícios de Doha à noite aos detalhes, arabescos e mosaicos dourados da arquitetura árabe dos palácios, das mesquitas e, até mesmo, de estádios que sediarão os jogos de futebol da Copa do Mundo da Fifa, que acontecerá de novembro a dezembro deste ano – não foi realizada em junho, como tradicionalmente acontece a cada quatro anos, devido ao calor intenso que faz no país neste mês do ano.

Riqueza dos estádios

A aliança entre o passado milenar e o futuro vanguardista é visível em tudo em Doha, a capital e cidade mais populosa do Catar. Essa união pode ser constatada, sobretudo, na arquitetura de seus palácios, edifícios, shopping centers, museus… Dos oito estádios construídos para a competição, o Al-Thumama é um exemplo de como essa aliança entre o milenar e o moderno do país é interessante.

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Assinado pelo arquiteto catari ou catarense, nome que se dá a quem nasce no país, Ibrah-im M. Jaidah, o estádio tem capacidade para 40 mil torcedores. Seu design é inspirado na cultura islâmica, mais especificamente nas tramas de tecido da gahfiya, a touca branca que é usada para prender o ghtrah, o lenço que cobre a cabeça, o pescoço e os ombros dos mulçumanos. Erguido com avançada tecnologia, o estádio parece ter sido tecido em uma renda finíssima.

Stadium 974

Outro exemplo do perfeito convívio entre a tradição e o contemporâneo é o inovador Stadium 974, também conhecido como Estádio Ras Abu Aboud. Como a maioria dos demais, ele terá capacidade para 40 mil pessoas. Foi projetado por Fenwick Iribarren, Schlaich Berger-mann Partner e Hilson Moran e receberá jogos até a fase de quartas-de-final da Copa do Mundo. Seu diferencial? Foi inteiramente construído com contêineres modulares, assentos removíveis e banheiros previamente construídos em uma fábrica, antes da montagem no local.

Todos os estádios da competição estão concluídos e serão acessíveis por uma das três linhas de metrô que servem Doha, exceto a que conduz ao estádio de Lusail, nas proximidades da costa norte da capital. Situada a 24 km do centro da capital, a cidade de Lusail foi construída no meio do deserto, abrigando praias, prédios, lojas de grife, shopping centers, campos de golfe e o Estádio Nacional de Lusail.

O que saber antes de ir para o Catar?

Antes de ir para lá, é bom saber algumas coisas básicas sobre o país. De religião islâmica, o Catar exige roupas comportadas, sem decotes exagerados e com ombros e pernas cobertos. Vestidos curtos (devem estar, no mínimo, na altura do joelho) e blusas de alcinhas, regatas, minissaias e bermudas não devem ser usados lá, exceto nos hotéis. Para frequentar a praia pública de Doha, por exemplo, é preciso estar de short. Nas praias públicas do país, o biquíni não é permitido e ele somente pode ser usado em piscinas e nas praias dos hotéis.

Também a venda de bebidas alcoólicas é proibida no Catar, exceto nos bares dos hotéis. Quem desobedece a lei, é preso. E esse é um problema a ser resolvido até a realização da Copa do Mundo. O torneio reunirá torcedores de países acostumados a tomar uma cervejinha para acompanhar os jogos. A língua do país é o árabe, mas o inglês também é falado por lá – a maioria do nome dos monumentos, dos museus, das bibliotecas e das ruas estão escritos em árabe e em inglês.

Clima do Catar

O Catar não possui as quatro estações climáticas, apenas Verão e Inverno. O país tem clima desértico, o que significa que é muito quente, sobretudo no Verão, de março a outubro (os meses mais quentes vão de junho a setembro), quando o relógio pode registrar até 50°C e a sensação térmica pode ir bem além disso. Contudo, do fim de novembro a fevereiro, as temperaturas são mais baixas, caindo para algo entre 20°C e 30°C.

Corredor do mercado Mercado Souq Waqif com itens à venda
Mercado Souq Waqif (Imagem: Shutterstock)

Mercado Souq Waqif

O mercado foi fundado há mais de um século em que os beduínos trocavam mercadorias – tecidos, lãs, cabras e ovelhas – por itens de sobrevivência. Em 2003, ele foi praticamente destruído por um incêndio. Em 2006, o governo começou a investir em um programa de restauração a fim de preservar a sua identidade arquitetônica e histórica. Restaurado, reabriu em 2008. Com sua sinuosa “avenida” principal, ruas estreitas e becos onde só circulam pedestres, o mercado é hoje um charme a mais da capital.

Localizado no centro de Doha, no distrito de Al Souq, o lugar é o coração pulsante e um dos principais pontos de encontro da cidade. Ali, nos dois lados da rua central, se concentram restaurantes, cafeterias e lojas. Elas vendem desde especiarias e frutas secas, suvenires, lenços de seda, tecidos, vasos e tapetes até joias, vestidos bordados com fio de ouro e animais de estimação. À noite, o Souq Waqif fica todo iluminado e é ideal para quem quer visitá-lo e ao mesmo tempo fugir do forte calor que faz durante o dia.

Gastronomia do país

A gastronomia do país é feita de aromas, cores e sabores insuperáveis, uma deliciosa mistura da culinária árabe, com acentuada influência das cozinhas libanesa, iraniana e indiana. Entre as opções mais conhecidas dos brasileiros estão o húmus (pasta de grão de bico), a kafta (aqui feita com carne de cordeiro), a abobrinha recheada com arroz e carne desfiada e o babaganuche (pasta feita à base de berinjela e tahine) e o warak enab (carne enrolada em folhas de uvas).

Para a sobremesa, o Umm Ali (pudim de pão com nozes e uva passas) e Mehalabiya (flan com pistache, perfumado com água de rosas). Frutos do mar e tâmaras são alimentos comuns no país, assim como as romãs, sempre bem docinhas. É comum encontrá-los na composição de pratos. Para os apreciadores de carne de porco, um conselho: esqueçam. O país é mulçumano e nele e, em função da religião, esse tipo de carne e os seus derivados não são consumidos.

Museu Nacional Rosa do Deserto

Tanto as informações sobre os mergulhadores e a extração de pérolas como a trajetória do descobrimento e da exploração de petróleo no país podem ser conhecidas no Museu Nacional do Catar. Seu acervo, muitas vezes interativo, mostra desde a formação da fauna e da flora do país, a constituição dos povos, os povos nômades, os movimentos migratórios, a formação da sociedade e o estilo de vida até os dias atuais.

Moderno, seu visual lembra o formato de uma rosa do deserto. A rosa do deserto é o nome de um fenômeno natural que acontece no subterrâneo das areias do deserto do Catar, onde milhares de grãos de areia se cristalizam e se unem, compondo uma formação mineral que se assemelha a uma rosa. Essa formação tão típica do Catar serviu de inspiração para o design do Museu Nacional do Catar.

Vista aérea da luxuosa ilha The Pearl, no Catar com diversos prédios altos
Ilha luxuosa The Pearl (Imagem: Shutterstock)

The Pearl – ilha luxuosa

Cifras milionárias também estão presentes na The Pearl (a pérola, em português), uma das regiões mais desenvolvidas e luxuosas do Catar. Vista do alto, essa gigantesca ilha artificial tem o formato de um colar de pérolas e foi construída em um dos principais locais onde eram encontradas pérolas no Catar. Quando estiver concluído, o milionário empreendimento imobiliário, reunirá 12 distritos (leia-se minicidades), 11 residenciais e mais um onde também funcionarão escritórios.

Capital Doha

Do total, apenas cinco distritos hoje estão concluídos – lembre-se que Doha é uma cidade que diariamente está sendo construída e que está constantemente se reinventando. Cada um dos distritos tem estilo arquitetônico diferente. Hoje, aproximadamente 50 mil pessoas, incluindo estrangeiros, moram na ilha, em suas vilas, como também são conhecidos os conjuntos do projeto.

As vilas podem ser frequentadas por turistas e abrigam áreas de lazer, edifícios residenciais, shopping centers, lojas de grife, hotéis cinco estrelas, cafés e restaurantes. Alguns dos distritos contam com praia privada. Dois deles são bastante concorridos: o Qanat Quartier e o Porto Pérola.

Katara Cultural Village

Também em construção está o Katara Cultural Village, um dos principais pontos turísticos da capital. O lugar abriga jardins, duas lindíssimas mesquitas (pena que nem sempre estejam abertas e que seja possível visitá-las), um teatro, galerias de arte, restaurantes e beach clubs na Praia de Katara.

Ali também ficam a Opera House (sede da Orquestra Filarmônica do Catar), o Ministério da Cultura, a Sociedade de Belas Artes do Catar, o Museu de Selo Postal Árabe, o Centro Cultural da Infância, a Academia de Música do Catar e outras entidades, além de um anfiteatro ao ar livre. 

Parte do texto originalmente publicado na revista Qual Viagem (Edição 102)

Por Fabíola Musarra

Redação EdiCase

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