Depressão: entenda como ocorre, os sintomas e tratamentos

Depressão: entenda como ocorre, os sintomas e tratamentos

A depressão também é alvo da campanha Setembro Amarelo, que tem o objetivo de prevenir e reduzir os números de suicídio

O “Setembro Amarelo” é uma campanha dedicada à prevenção ao suicídio. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde, cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Essa é a segunda principal causa de morte entre pessoas com idade entre 15 e 29 anos. A depressão, por exemplo, em casos mais graves pode levar ao suicídio.

Depressão ou tristeza?

Inicialmente, é muito importante diferenciar depressão e tristeza. A tristeza é um sentimento comum que pode acontecer com qualquer pessoa em diversas situações, entre elas: a perda de um ente querido, o término de um relacionamento, um objetivo de vida que não deu certo, entre outras. Entretanto, este sentimento é passageiro, diminui e/ou desaparece com o tempo.

Já a depressão pode acontecer com ou sem um evento estressante anterior e tem uma duração mais prolongada, de no mínimo duas semanas. A tristeza é um dos principais sintomas da depressão e muitas pessoas tristes se descrevem como deprimidas, mas é importante lembrar que a tristeza é apenas um sentimento passageiro, e a depressão é um transtorno mental que deve ser tratado.

Sintomas da depressão

Entre os sintomas mais comuns da depressão estão a sensação de tristeza constante e a falta de vontade e prazer na realização de atividades que antes eram prazerosas. Estes sintomas vêm acompanhados de outras sensações, como alterações no apetite e no sono, falta de energia e dificuldade para realizar tarefas cotidianas, sentimento de impotência ou culpa e, em casos mais graves, pensamentos sobre suicídio e tentativas de suicídio.

Alteração de substâncias no corpo

De acordo com Carine Eleutério, psicóloga formada pela UFC (Universidade Federal do Ceará) e mestranda da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), a depressão altera determinadas substâncias químicas presentes no nosso organismo, influenciando no humor e nas emoções.

“A dopamina e serotonina são neurotransmissores que estão associados ao estado afetivo das pessoas. A serotonina regula o humor, o sono, a atividade sexual, o apetite, o ritmo cardíaco, as funções neuroendócrinas, dentre outros. A dopamina está associada à sensação de euforia e prazer. Esta regula o controle do movimento e da motivação”, explica.

Segundo ela, na depressão a dopamina, serotonina e outras substâncias químicas, como a noradrenalina, ficam alteradas, desarranjando o estado de humor e as emoções.

Faixas etárias

A fase mais comum da vida em que surgem episódios de depressão é entre os 20 e 30 anos de idade, ou por volta dos 60. Entretanto, a depressão pode surgir em qualquer idade, da infância à velhice. Nem todos os casos de depressão apresentam riscos à vida, mas os prejuízos individuais e nas relações familiares são imensos.

Causas da doença

É muito difícil definir causas específicas para a depressão, pois, como dito anteriormente, ela pode ocorrer sem um agente estressante anterior. Mas os principais fatores responsáveis pela doença são as alterações em neurotransmissores, que são substâncias químicas responsáveis pela comunicação entre os neurônios – as células do cérebro –, fatores genéticos e fatores ambientais.

“A depressão pode ocorrer depois de uma situação estressante, como luto ou brigas. É comum sentir-se triste, desesperado quando temos um problema […]. É normal se sentir fragilizado após uma situação estressante como de violência por um assalto ou sequestro. Às vezes, a pessoa não consegue reagir e essa tristeza se transforma em depressão, principalmente nas pessoas com predisposição à doença”, esclarece a psicóloga Carine Eleutério.

Importância do diagnóstico

Antes de iniciar um tratamento é muito importante que se faça um diagnóstico extremamente preciso, pois outras doenças, como o hipotireoidismo, podem apresentar sintomas semelhantes ao da depressão, mas os tratamentos são completamente diferentes.

Formas de tratamento

Após o diagnóstico, o tratamento pode ser feito de diversas formas. Em casos de depressão leve, os pacientes podem ser tratados apenas com psicoterapia, ou com o uso de medicamentos, ou uma combinação das duas abordagens (estudos atuais mostram que a combinação das duas formas de tratamento promove mais benefícios que cada forma isoladamente).

Relevância da psicoterapia

A psicóloga Carine Eleutério enfatiza a importância de se tratar das causas da depressão com psicoterapia e não apenas tomar medicamentos antidepressivos. Segundo ela, os remédios combatem os sintomas, mas não solucionam o problema, fazendo com que a doença persista. Em alguns casos, os efeitos da medicação podem enfraquecer e a doença persistir.

Casos moderados ou graves

Já os casos de depressão moderados ou graves são tratados obrigatoriamente com o uso de medicamentos, podendo ser complementados com psicoterapia. Habitualmente são utilizados medicamentos conhecidos como antidepressivos, que existem em diversas formas, combinados com medicamentos para reduzir a ansiedade e auxiliar o paciente a conciliar o sono quando necessário.

“Os antidepressivos demoram de duas a quatro semanas para atuar efetivamente na doença. Restaurada a química cerebral, a depressão tende a melhorar”, diz a psicóloga.

Período de tratamento

O tratamento deve ser mantido por alguns meses após o fim dos sintomas para assegurar que o paciente não tenha uma recaída. A maior parte dos pacientes apresenta uma melhora duradoura com a manutenção do tratamento por cerca de seis meses após a remissão dos sintomas em um primeiro episódio. A depressão recorrente necessita de tratamento mais prolongado, que pode atingir dois, cinco ou vários anos.

Necessidade de internação

Existem casos em que a depressão é mais grave, com sintomas que colocam em risco a vida dos pacientes, como a falta de vontade de comer e beber qualquer tipo de líquido, pensar até em tentar cometer o suicídio. Nestes casos, o tratamento deve ser iniciado com o paciente internado, para proteger sua vida.

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Redação EdiCase

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